Além das crenças e contos de fadas: entendendo a relação mente-corpo e desvendando o inconsciente

O poder do conhecimento e toda a idéia da criação que tornou a religião o nosso primeiro despertar para explicar de onde viemos não é um questionamento puramente individual, mas algo compartilhado por todos através da história.

O ser humano possui uma mente que sempre buscou entender a sua própria origem. Nas suas diferentes formas de entendimento, ele acaba por cair em crenças, enquanto outros se rendem à racionalização da ciência. Tentamos preencher uma lacuna existencial que reside no pensamento de quem já parou para refletir sobre si mesmo pelo menos alguma vez na vida. Alguns encontram o conforto no divino, outros no subsídio das explicações científicas. Independente de onde obtemos as respostas às perguntas que fazemos, podemos tentar entender um pouco além de nossas crenças e ciência das coisas para expandir nossa mente e renovar nossa percepção de mundo.

Nosso conhecimento e capacidade de imaginar além mundo tem natureza psicológica e poderia ser explicada se soubéssemos exatamente como é o funcionamento da nossa mente. Porém, infelizmente, ainda não falamos a língua dos anjos. Mesmo você acreditando que anjos existam ou não, não saberíamos falar uma língua mais complexa que a gente pode entender. Também tem a possibilidade de não entendermos inicialmente, e depois decodificar em nossa língua através de tentativas e busca de padrões. O ser humano é muito astuto em encontrar padrões em tudo.

Na história da humanidade a linguagem não evoluiu da própria linguagem? Através dos tempos as linguagens mais complexas surgiram até chegarmos ao ponto de criar linguagens de máquinas, que abstrai o processo de comunicação para que possamos dizer como uma máquina deve funcionar. Sendo assim, o conhecimento humano é algo contínuo e mesmo encontrando conforto nas respostas que nos foram passadas, sempre haverá espaço para novas descobertas e questionamentos.

Imaginamos muito além de como as máquinas devem funcionar com nossas linguagens abstratas. Imaginamos um ser onisciente, onipresente e oculto onde reside o conhecimento do todo. Também faz parte de nossos pensamentos idéias sobre o absoluto. O fato de termos evoluído o suficiente pra atribuir referências ao universo, conceitos como infinito e a sabedoria nos tornam capazes de indagar: “De onde eu vim, quem eu sou e pra onde vou”. E como diria um bom mineiro que eu sou:

“Ponconvin quem cô sô e pôn cô vô”.

Em algum momento, quando enxergamos que pode existir algo além físico não explicado, é questionada uma possível separação mente-corpo, atribuída a filósofos como Descartes. Desta abstração surge um conceito chamado de alma, personificado pela Psiquê da mitologia grega. É considerada a esfera universal quando temos a alma como o próprio universo consciente, ou a centelha divina quando a alma é por definição uma parte do ser perfeito, um pedaço de uma grande fonte espiritual. É bem místico isto para você que quer falar de ciência, não? Entenda que o que estou falando aqui é do fato do ser humano criar em si um misticismo para explicar toda a criação do universo desde os primórdios de sua existência, sem na verdade eu estar julgando aqui se é verdade ou não toda esta crença, e se estas fábulas possuem algum fundo de verdade.

Elas podem ser apenas fábulas, mas tem sim um fundo de verdade nas mensagens que elas tentam passar desde o início da nossa era.

Apesar de aprendermos estes conceitos de espírito, alma e sua relação com o universo sob diferentes perspectivas, a alma é um conceito abstrato que o homem criou para tentar personificar um estado de mente desvinculada de um ser. Ela não tem idade, não tem corpo e as propriedades que ela guarda é tudo que consideramos pensamento.

O Cupido e Psiquê. Contos da Mitologia já personificavam a Alma e o responsável pelo sentimento do amor como fatores relacionados.

Eu diria que muitos robôs, caso tivessem a condição humana, poderiam inventar deuses assim como nós criamos, afinal, a história de um deus egípcio é análoga à história de Jesus Cristo. Existe um padrão de criação do divino, que varia de sociedade a sociedade. Todos eles herdam de uma idéia comum: a criação. Questionar de onde viemos e os sentimentos dados sobre a vida e a morte é uma das experiências humanas mais primordiais.

E dela podemos fazer uma pergunta: cada nova civilização que surgir a partir de outra, cada ser inteligente e consciente que habitar a terra que viver em comunidade com sua espécie, o ser humano, irá em algum momento se questionar sobre sua criação em todos os casos?

Como crianças, este questionamento é logo respondido ao entender que a nossa criação veio dos pais, e posteriormente nos perguntamos de onde os pais vieram e no fim de onde vem a natureza e como tudo começou. Dependendo de onde esta criança esteja, esta resposta vem já respondida pelos seus companheiros humanos que ali já viviam, e que, no exemplo do Cristianismo, vão dizer que Deus é o criador do mundo. Você pode aceitar isto ou não e formar um entendimento a respeito, resultado de complexos fatores que envolvem a sua individualidade e seus pensamentos que “brotam” do inconsciente. O inconsciente pode vencer a influência do ambiente e tornar esta criança o que ela quiser.

O inconsciente

Este algo a mais reside num lobo frontal adquirido com a nossa evolução, que nos diferencia dos animais por uma central de controle no nosso cérebro, que possui novas funções e rege nossa consciência. Nela existe um ser humano imaginário completo. É a nossa virtualização interna do mundo, o universo interior.

Estaria neste local o controle central de toda a magnitude do pensamento, que extrapola o passado, futuro e imagina o presente? Mas como?

O lobo frontal deu ao cérebro capacidade de gerenciar informações cada vez mais complexas que a ciência ainda não consegue decifrar, mas acredita que tamanha complexidade emergiu a consciência. Foto: Pinterest (https://br.pinterest.com/pin/560416747354817404/)

Sabemos que estas distinções podem não estar no DNA nem nos neurônios, pois é algo bastante subjetivo e pessoal. Dá pra dizer ainda que estas idéias “conscientes” surgiram de algo pessoal que estava “escondido”, abaixo da consciência. Esta idéia de pensamento escondido é o que chamamos intuitivamente de inconsciente. Entenda que o inconsciente não está abaixo da consciência, pois não existe uma localização física do que estamos falando aqui e o fato da ciência não saber sua origem não faz com que a gente não perceba suas ações quando olhamos pra dentro de nós mesmos.

No que diz respeito ao funcionamento do cérebro e da sua biologia e reações químicas, a psicologia tenta explicar a dinâmica da mente de forma empírica e conceitual. Apesar de não ter uma explicação física, a mente não somente rege nossas vidas, mas fala conosco como em uma vida paralela. Sim, existem vários seres em você! Você esconde seus medos nas Sombras, cria personagem de si mesmo, as Personas. O que seria do carnaval se as pessoas não adotassem seus personas? Suas preferências são baseadas em seres que evoluem em você e habitam seu corpo. Tentamos criar uma definição do conjunto de todos estes “pseudo-seres” que giram em torno do seu Ego, além da peça central deste quebra cabeça, o Self. Aliás, seu ego será o responsável por contestar tudo que digo e vou dizer aqui caso tudo isto vá contra suas crenças, pois ele faz você pensar que é o dono da verdade. E a abertura da sua mente dependerá de como a interação entre o seu Self, ego e diferentes personagens da sua vida irão co-existir.

O Self é você, o eu-central.

Estes “seres” nunca dormem. Processos oníricos fazem parte do nosso aprendizado e reflexões entre nossos personagens, por mais absurdas que as idéias dadas pelos sonhos possam parecer. Temos o céu e o inferno dentro de nós.

O Self é o centro da sua consciência e rege sua vida acima dos outros seres que habitam em você. O equilíbrio psicológico, além de fatores biológicos, também é afetado pela dinâmica das relações dos diferentes tipos de relações com você mesmo. Foto: Pinterest(https://br.pinterest.com/pin/307159637069114737/)

Sonhos, o berço do inconsciente

Se estamos pra falar de uma idéia abstrata que vem de um inconsciente, temos que pensar na manifestação de pensamentos e como ela vem para nós quando estamos dormindo, pois de certa forma neste momento estamos fora do controle da nossa mente. Neste momento de descanso mental estamos sendo atacados por informações mesmo desligados da vida. Algo toma a rédea sem nossa permissão e permeia nossa cabeça com histórias que muitas vezes nos parecem conto de fadas ou de terror.

Lá também que o tempo não passa, pois você acorda no outro dia como se tivesse acabado de dormir. A contagem do tempo não acontece e você acorda sem saber ao certo quanto tempo passou até olhar as horas. Você foi desligado da realidade.

Os sonhos parecem muitas vezes permitir que nossa mente viaje para fora do nosso corpo e vá viver situações nunca antes imaginadas ou manifestações de vontades escondidas. Foto: Pinterest(https://br.pinterest.com/pin/334040497343449219/)

Desta forma é bem difícil conseguir encaixar fenômenos como este nos processos científicos, pois a formulação e comprovações mudam de figura, literalmente.

Arquétipo, uma figura mental

Para tentar entender a dinâmica da mente e da consciência sem entrar no mérito de como nosso cérebro realiza operações complexas que chamamos de inteligência, temos um conceito abstrato mais primitivo do que a própria idéia do que é a inteligência: o arquétipo.

Usado para designar as figuras simbólicas da cosmovisão primitiva, poderia também ser aplicado aos conteúdos inconscientes, uma vez que ambos têm praticamente o mesmo significado.
O Arquétipos e o Inconsciente Coletivo, Carl Gustav Jung, pág 16

O arquétipo pode ser considerado uma figura mental de cada segundo de pensamento. Seja ela uma imagem, ou um símbolo, um imago, somos governados a cada segundo por registros de imagens e experiências adquiridas por nossos sentidos e armazenamos de alguma forma peculiar pela qual referenciamos um objeto.

Assim chegamos a uma definição usando a linguagem para dar nome às coisas, à comunicação e à escrita, e evoluindo até mesmo em vídeo HD. Tentamos recriar representações cada vez mais fiéis da realidade vividas por nós, de forma a perpetuar a experiência em todos os sentidos.

Podemos formar um modelo a partir disto. Um modelo de onde partimos desta idéia mental simbólica que vem carregada de significado e impressões. Um símbolo que carrega uma história que foi única no momento em que ela surgiu, mas que passou a ser contada e conhecida na humanidade e foi passada através dos tempos.

Estas idéias simbólicas começaram básicas nos primórdios do pensamento. Começou com o Sol, que virou um personagem, que deu lugar a outros seres, que se tornaram deuses.

Sentimentos carregam figuras arquetípicas, símbolos que muitas vezes se originam da realidade, como o amor se tornou um coração e um nariz vermelho remete a um palhaço. Campanhas publicitárias utilizam narrações baseadas em arquétipos para atingir diversos tipos de consumidores.

A psicologia pode se apoiar em algum modelo para tentar explicar os seus diversos fenômenos sem deixar de ser uma pseudo ciência utilizando arquétipos? De que forma podemos ter um entendimento melhor?

Podemos ser análogos às explicações que encontramos através da ciência, como por exemplo os movimentos celestes e geração de energia para fazer um análogo psíquico.

Jung fez isto muito bem. Nesta formulação da psicologia da mente usando o inconsciente coletivo e a idéia de arquétipo, ele até buscou ajuda do seu amigo Pauli, que na época fazia estudos sobre a natureza do elétron e foi um dos pioneiros da física quântica. Podemos entender melhor a tentativa deles de trocar conhecimentos e ir de encontro à física quântica com a psicologia moderna no livro 137: Jung, Pauli, and the Pursuit of a Scientific Obsession

https://www.amazon.com/137-Pauli-Pursuit-Scientific-Obsession/dp/0393338649

A teoria do inconsciente coletivo

A teoria do Inconsciente Coletivo, uma das mais completas de Jung, é citada desde suas publicações mais antigas. Ela tenta preencher a lacuna da ciência de como o ser humano evoluiu em sociedade e como a dinâmica da nossa mente funciona e se relaciona com o universo, e como todos os seres pensantes se apoiam num repositório de informações mundiais, e o pensamento nada mais é que extrapolar idéias deste repositório, que não só reside todas informações do mundo, como sabe também do passado, presente e tem uma projeção de futuro muito mais ampla que a nossa visão individual. A unidade desta informação acessível a todos é o arquétipo.

Bem, a verdade é que só conseguimos acessar o nível humano da consciência. Temos um acesso individual, ou seja, só temos acessos a nós mesmos. Alguns acreditam que é possível nos comunicar com outros através da telepatia. Não é uma idéia absurda: a ciência estuda se existe uma relação de uma glândula no cérebro, a glândula pineal, com um certo nível de comunicação com o mundo exterior.

Antes de Jung, Freud tinha uma teoria bastante aceita no universo da psicologia sobre o inconsciente. Para ele, o inconsciente é um “berço” dos nossos pensamentos retraídos. Tudo que pensamos, vivemos, sonhamos está no escopo da nossa existência. Este pensamento de certa forma está alinhado com a ciência, pois não existe nenhum mecanismo que mostre que a mente possa se comunicar com o mundo sem se utilizar do mundo físico. O cérebro é um software que funciona para nos manter vivos, mas não extrapola a mente de nenhuma forma que se possa provar.

Apesar de não ter como provar como este repositório se comunica com todas as mentes vivas (ou extrapolando mais ainda, dos mortos e do reino animal), pensar na existência de um inconsciente coletivo dá sentido a muitas explicações em que a ciência se limita.

Então, se não podemos provar, vamos deixar esta conversa pra lá e acabar este texto? Não.

O inconsciente coletivo. Foto: Pinterest(https://br.pinterest.com/pin/19421842119731586/)

Muito além dos contos de fadas

Parece romântico pensar que se possa pensar sobre o mundo desta forma, com arquétipos, inconsciente coletivo e o que isto muda na minha vida e como isto pode ser provado e satisfazer minhas crenças e entendimento da ciência.

A idéia do inconsciente coletivo vai muito além da ciência e religião. Ela é o berço pra explicar a origem delas, pois religião e ciência fazem parte de um dos complexos mais antigos do ser humano, que vem de um arquétipo base.

Quando começou a se tornar ciente de si, o homem conseguiu no decorrer dos tempos, contar fábulas para explicar os diversos fenômenos do mundo na sua primeira vez. Tudo isto começou através da linguagem e símbolos. A ciência tenta entender como nosso cérebro processa todas estas informações e como esta complexidade da linguagem se tornou algo que possa ser ensinado e passado. Além disto, como o fato de se comunicar entre um conjunto de indivíduos que atuam de forma coletiva, o ser humano evoluiu cada vez mais seu conhecimento e prosperou as informações sobre fatos históricos e descobertas da humanidade, tudo isto a partir de símbolos primordiais.

Pois bem, o arquétipo evolui como uma célula para o organismo e o complexo nada mais é que organismos destas ideias primitivas. Eles residem num campo maior, onde está todo universo coletivo.

Hércules, filho de Zeus, foi um dos primeiros personagens com relatos de poderes sobre-humanos relatados em uma fábula.

As fábulas são projeções primitivas do que estamos tentando dizer para humanidade de uma forma universal, exagerada e fictícia. Contos tem o poder de se adaptarem ao ambiente e podem parecer diferentes pelo simples fato de serem influenciados por uma cultura ou sociedade, mas no fim passa uma mesma mensagem e carrega significados que sem percebermos afetam nosso inconsciente.

A ciência conseguiu explicar e desmistificar muitas idéias e derrubou muitas fábulas, mas o fato do ser humano ter encontrado esta forma de explicar o mundo inicialmente influencia nossas mentes até hoje. Por mais que avançamos tecnologicamente, ainda nos exaltamos com idéias primitivas e ela exerce completa influência sobre nós e nosso dia a dia.

Um conto de fadas carrega muito além da ciência da linguagem e contagem de histórias e devaneios sobre o mundo desconhecido, e alguns deles foram responsáveis pelo surgimento da religião, que até hoje é estudado historicamente e nada mais é que uma grande fábula. Obras que retratavam um modelo de sociedade que exercia completa influência sobre o divino perduraram através dos tempos e funcionaram como fotografias do mundo coletivo e devaneios pessoais.

As nossas doenças e desequilíbrios podem ser escaladas ao nível da sociedade e tornar-se guerras e conflitos que tomam magnitude de até mesmo chegar a extinção de sociedades inteiras. As nossas ideias individuais podem influenciar outros seres humanos que vivem em sociedades. O homem ganhou outros artifícios além da força e do poder para evoluir a si mesmo e tomar suas verdades para o mundo. Outros vieram com pensamentos que consideramos puros e que se aproximam do estágio da alma, do que consideramos o mais puro estado humano.

Nosso pensamento está resignado aos moldes do inconsciente coletivo, através do seu inconsciente pessoal, que possui relações e interações entre os diversos arquétipos e complexos formados de fatores intangíveis para nós. Mesmo abstratos, eles dão forma a coisas não materiais e fazemos diversas vezes associações.

O materialismo da ciência tenta explicar a chave deste fenômeno de conexão entre a mente e o cérebro e cai na dualidade mente e espírito, corpo e alma.

Existe algo além da mensuração observável que vai além das previsões quantitativas.

Os estados mentais projetam nossa relação com a vida de caráter pessoal que é inalcançável pela ciência. É onde residem os limites da relação do cérebro com o mundo exterior e não podem ser resolvidos pela teoria da identidade, que diz que uma ideia é epifenômeno da mente; ou seja, nossos pensamentos não seriam nada mais que produtos dos estados físicos do mundo.

A psicologia de uma forma mais abrangente e as teorias de Jung vieram completar o que o os dualistas encontraram para tentar seguir com a dualidade mente-corpo: existem campos distintos de fenômenos, e de um lado temos o físico que conhecemos, e os mentais que ainda são possibilidades e estão bastante alinhados com o conceito de função de onda da física quântica e até mesmo com a teoria das cordas.

Na função de onda, um sistema contém todos estados possíveis e dá origem a dualidade onda-partícula, já no segundo, a teoria das cordas, diferentes ondas no formato de cordas geram as partículas fundamentais de acordo com sua variação de frequência.

Há uma lacuna na tradução de processos mentais para processos físicos que conceitos abstratos ficam “tortos” quando passados para o mundo, que nunca estão na sua totalidade de sentido que possa ser mensurado, mesmo com todas variáveis físicas conhecidas.

Com isto, podemos entender melhor o mundo e enxergar os limites da ciência e da criação como um fenômeno que absorvemos em parte e direcionamos para o mundo real de acordo com nossas experiências. Assim como mente e corpo, o mundo é imaginado de dentro pra fora e a realidade de fora para dentro.

Fazendo uma analogia, dentro do pessoal, acessando o inconsciente, chegaremos até um “mar” onde você pode nadar de acordo com a corrente ou ser sugado pelas idéias do coletivo. Não somente idéias da sua sociedade atual, mas também idéias coletivas comuns do passado, onde residem pensamentos que foram parte da nossa existência humana. Há um certo nível de rompimento com o todo para formar a idéia própria de si mesmo e isto se faz necessário em algum momento da sua vida. O que seria a loucura e psicopatia, se não uma confusão mental entre o eu e o coletivo? Além das questões patológicas, é claro.

Nosso nível de loucura é proporcional à intensidade com que quebramos às regras da nossa sociedade; e romper com elas requer grande força mental. A partir do momento que exploramos o conhecimento livre de conceitos coletivos enxergamos acima da nossa espécie para ver o mundo e a realidade unicamente com os nossos olhos. Cabe a nós a forma como utilizaremos todas informações passadas pela história com nosso discernimento.

Todos os acontecimentos “mitologizados” da natureza, tais como o verão e o inverno, as fases da lua, as estações chuvosas, etc, não são de modo algum alegorias destas, experiências objetivas, mas sim, expressões simbólicas do drama interno e inconsciente da alma, que a consciência humana consegue apreender através de projeção - isto é, espelhadas nos fenômenos da natureza. A projeção é tão radical que foram necessários vários milênios de civilização para desligá-la de algum modo de seu objeto exterior.
O Arquétipos e o Inconsciente Coletivo, Carl Gustav Jung, pág 17

Citizen Scientist and Software Engineer, looking for the limits beyond mind and machine exploring the world

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