Liderança, motivação e microgerenciamento nas organizações

Fui convidado pelo GDG — Lavras para falar de um assunto muito pertinente ao mundo do desenvolvimento de projetos e que afeta profundamente a carreira de desenvolvedor, gerentes e líderes.

Para entender melhor o contexto, o Grupo GDG Lavras é parte do Google Developers Group que estimula discussões e agrega conhecimento disseminando palestras, seminários e informações relativas a startups e projetos. Ele está em um canal onde realiza diversos vídeos ao vivo no modelo de perguntas e respostas e participei nesta edição.

Houve perguntas e respostas onde pude compartilhar um pouco das minhas experiência, tanto do lado do desenvolvimento como de liderança.

Trabalho há mais de 10 anos com desenvolvimento web, e passei por muitas áreas com diferentes papéis, desde estagiário até líder da área de front-end de uma startup, e depois uma ótima experiência como desenvolvedor pleno e depois sênior na Globo.com, que possui um modelo de desenvolvimento ágil em que vi amadurecer e tornar bem sucedido e eficiente na entrega de vários projetos importantes e decisivos. Com o desenvolvimento ágil também pude ter experiência com os processos de desenvolvimento de software e diferentes fluxos de trabalho. Assim atualmente trabalhando no exterior numa empresa, também dedico parte do meu tempo atuando como líder técnico de startups, trabalhando de forma distribuída com o Gitpay.

Um Hangout que rolou ao vivo no GDG Lavras sobre Liderança, motivação e microgerenciamento nas organizações

Temos um pouco das perguntas que foram abordadas que podem ser conferidas no vídeo e resumidas aqui:

Liderança para mim é ser a porta de entrada para decisões fundamentais numa causa, um porta voz que saiba sintetizar a opinião de um grupo e consegue com argumentos e estímulos mostrar o bem comum até para aqueles que possuem visões diferentes.

A liderança sem dúvida pode ser desenvolvida, mas necessita de bastante amadurecimento para isto, e também não é algo que deve ser forçado e visto como algo superior ou que seja destino final para evolução da carreira.

Não. A liderança ocorre naturalmente por alguém que passa a exercer influência e centralizar as decisões da equipe, a gerência é uma competência em que alguém possui o papel fundamental de entender de forma macro a evolução do projeto, fazendo o controle dos riscos e avisando sobre possíveis falhas e alternativas de caminho.

Vejo algumas alternativas para isto:
— Oferecendo uma recompensa e propondo uma reestruturação para que o problema não se repita caso seja necessário mesmo a sobrecarga
— Renegociando o escopo para que não haja sobrecarga
— Mostrar o valor do que está sendo feito e ouvir alternativas para que a sobrecarga diminua

Fazendo com que eles façam parte. Tendo um tempo para inovação. Ouvir o que eles tem a dizer sobre a empresa e melhorias. Caso não seja possível as mudanças, mostrar o motivo e as prioridades. Mostrando o valor do negócio e a visão e o quanto o que é realizado pelos funcionários afeta a empresa como um todo.

Esse é um dos maiores desafios e atualmente e também muito exigido dos profissionais. Para equipes autogerenciáveis e ágeis, é necessário uma responsabilidade maior sobre o profissional e ele precisa ser auto gerenciável, então ser gerente de si mesmo é essencial. Para isto ele precisa ter iniciativa. Uma coisa que faço é usar o processo do scrum na minha vida, ter entregas para mim mesmo, é fazer de você um projeto de vida. Falo um pouco disto no Scrum Solo.

Sempre tente dividir problemas maiores e menores e tentar renegociar de forma a aceitar os riscos e a incerteza de prazos e como o projeto irá sair no final, de acordo com dados e iterações menores.

O microgerenciamento é uma das práticas gerenciais mais causadoras de desmotivação e estresse e inibidora da criatividade dos trabalhadores. O microgerenciamento é um estilo de gestão em que o gerente exerce um controle excessivo sobre o trabalho de sua equipe, envolvendo-se demasiadamente com os detalhes de cada tarefa. É claro que o gerente tem a responsabilidade de monitorar o progresso do trabalho, controlar a qualidade, avaliar o desempenho, tomar decisões, dar instruções e fornecer conselhos e orientação. O problema ocorre quando ele ignora as qualificações de sua equipe e se intromete desnecessariamente nos detalhes do trabalho de cada colaborador de forma continuada e obsessiva.

Acho que não existe benefícios nos dias de hoje o microgerenciamento, pois o controle causado por ele não significa realmente melhoria para o projeto. O microgerenciamento faz com que a independência e criatividade faz com que desenvolvedor e envolvidos no projeto fiquem incapazes de fluir com suas resoluções para os problemas da empresa.

Tendo uma estrutura de equipe mais dinâmica e com liberdade de encontrar uma solução e que controles não torne a equipe escravo de processos que muitas vezes geram desmotivação e condicionamento que faz com que o time não tire o melhor proveito e as habilidades dos integrantes.
É permitir que sejam definidas entregas com o fornecimento da informação como entrada e uma saída, não controlando muito o meio e caso o projeto falhe, que aprenda e renegocie de acordo com as variáveis e particularidades da equipe.

É uma questão delicada, eu nunca fui bom em feedbacks, mas também trabalhando em empresas que não tinha feedbacks, foi uma experiência ruim, pois fiquei sabendo de coisas que poderiam ter sido resolvidas antes, mas com a falta de feedback cresceu de forma irreversível. Então acho que tem diversas formas, como parte da cultura ou até mesmo usando ferramentas. Em Copenhagen temos uma startup especializada nisto chamada Peakon, onde é possível obter feedbacks, inclusive da gerência para tentar ter uma certa visão de como anda a empresa e a influência dos seus membros.

É uma experiência profissional engradecedora. Ser líder é conseguir influenciar e ter um poder que usado para o bem leva outras pessoas consigo e você passa a não ser o dono mais da idéia, e tudo bem. Ser líder não é se impor, é fazer com que tenhamos um porta voz entre idéias comum, que representa algo além de nós mesmos

Acho que culturalmente a idéia de chefe virou algo como delegar ordens e um líder alguém que conquistar esta posição.

Uma questão difícil, pessoas têm diferentes opiniões. O que pode ser feito é mostrar que existem as opiniões pessoais por um lado mas o que conta nas decisões é o que for melhor para o projeto e para o usuário que irá usar aquele produto ou serviço.

Na minha experiência sendo um “usuário” de teste de métodos e práticas eu tive um bom exemplo de boas vindas, em que a gente tem um café da manhã na segunda onde cada novo membro é introduzido e fala um pouco na empresa. A experiência que eu tive quando cheguei assim em Copenhagen foi bem receptiva, e ainda fazem uma brincadeira para você falar coisas sobre você e uma seria mentira e teríamos que adivinhar qual era a de mentirinha. Muitos se enrolaram :-)

Acho que um dos caras mais inspiradores em termos de gerenciamento, idéias e formas de revolucionar projetos e produtos foi Steve Jobs, que deixou seu legado até hoje e faz parte de um símbolo nunca esquecido.

A pessoa tem que querer, muitos querem desde cedo mas eu acho que é essencial ser líder ao menos de si mesmo para poder ser um bom profissional em qualquer área. A figura de um gerente nos guia mas muitas vezes não temos autonomia sem ter um do lado, simplesmente pois acomodamos.

Então confiram o vídeo completo onde respondi essas perguntas e outras feitas pelos que assistiram o Hangout e live no Facebook ao vivo.

Citizen Scientist and Software Engineer, looking for the limits beyond mind and machine exploring the world

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